segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Estrada


Estou no meio do caminho, já percorri a minha infância e estou percorrendo a minha fase adulta.
Porém a estrada é formada por velhas pegadas contornadas por sonhos e preenchidas de pesares.
O caminho não mudou, apenas os meus passos tornaram- se longos, agora posso olhar o infinito com mais clareza.
Os velhos passos tornam-se guias para os novos, nessa renovação me perco no tempo, não sei se sou aquela menina que sonhava ou se sou o adulto que realiza.
As suas ruas me cegam, penso que ao dobrar em uma rua vou encontrar os velhos brinquedos deixados pelo caminho,
Mas sou grande agora e a pequena bicicleta não agüentaria o peso da minha idade.
Quero voltar para onde o mundo era lindo e límpido para ter a certeza de que ele existiu e existe.
Agora cheguei ao ponto exato onde o meu passado encontra o meu presente.
E agora?
O quê sou?
Uma criança ou um Adulto?
Procuro ou encontro?
Quero viver essa confusão de sentimento com toda intensidade, vivendo o pesado e o presente em um só instante, trazendo de volta as velhas e boas sensações de quando andava pelas ruelas sem medo do quê encontraria ao dobrar de uma esquina.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Acordei sentindo muita fome, talvez seja porque dormi com fome ontem, antes de ontem, antes e antes de ontem.
Olho ao meu redor e essa sensação não é só minha, mas parecesse que só eu consigo senti-la.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac, as horas passam, o silencio é quebrado pelos gritos do meu estômago.
Ele grita. Ele clama. Ele suplica.
Ele é uma fera enjaulada e quer matar, matar, matar.
Tenho fome, quer matar, tenho fome, quer matar...
Matar, fome, matar, fome, matar, quer fome, matar a fome, tenho, matar a fome.
Saio de casa para não ver os lamentos, pois estou acostumado a ver isso diariamente.
Pessoas passam, elas vão e vêem.
Não me enxergam. Será que é por causa da fera que está em mim?Ela os assustam?.
Quero falar: "por favor, me ajudem, me ajudem",mas não tenho mais forças para isso, não tenho mais forças para pedir, pedir ajuda ...
Dói,dói, dói, dói...
Ah! agora, não dói mais, agora não dói mais.
Consegui o meu descanso. Ela se foi. Ela se foi.
Ela se foi e eu fui com ela.
O animal que estava preso na jaula se soltou e me deforou.
Matou a sua fome, comendo a minha carne e a minha alma.
Ah! até que fim, o alivio
Agora não dói mais!.

Rafaela

segunda-feira, 28 de junho de 2010

UM VERME

Porque as coisas são negadas a mim?
Será que não estou preparada para vivê-las?
Será que não mereço vivê-las?
Será....será....?
Sigo e vivo a vida alheia, sugo suas emoções, me intrometo nas suas vidas, um verme sugando as forças vitais de quem é feliz.
Não faço parte deles, mas ,ao mesmo tempo, pertenço a eles.
Sou um coadjuvante na vida dos outros e um espectador da minha.
Imagens passam e são pequenas as vezes em que atuei, em que falei , em que fui ouvida, em que fiz parte de algo.
Sou um quebra-cabeça que se compõe por peças roubadas, um todo e um nada.
Sou um retalho constituído por fios de sentimentos alheios, você pode encontrar os pedaços e os fios da sua história, da sua vida no meu tecido o qual eu uso para me esconder e para me proteger.

Rafaela

sábado, 26 de junho de 2010

Adeus a um amigo querido


Quando o conheci, percebi que encontrara o meu reflexo ,os ponteiros do meu relógio que a muitos anos estava parado, um ouvinte permanente, entreguei a ele o meu carinho e ainda entrego a ele o meu respeito.

Mas ,o espelho começou a embaçar, descobri que esses ponteiros não cabiam em meu relógio e que só tinha um ouvinte por ocasião.

Não percebi que ele me dava adeus diariamente, porque tampei os meus ouvidos e os meus olhos para manter a sua imagem sempre em meu coração e em meu pensamento.

Entretanto ,falei o meu único e definitivo adeus, quando percebe que a sua imagem e a sua voz se apagara em mim, não o vi partir, mas talvez ele nunca esteve aqui.

Esse adeus ,a muito tempo dito ,ressoa constantemente,é um eco infinito dando a certeza de que estou só e deixando a dúvida de que nunca estive acompanhada.

A a a a S a a a U a a a E a
a D a U a A a E a S a D a U a S S S S . . .
a a E a a a D a a a A a a a S

Rafaela

domingo, 13 de junho de 2010

Em Busca De...


Estava cansada dessa preocupação constante:a busca pela sobrevivência,pela aprovação dos outros,por um emprego estável, sempre com o mesmo questionamento:"qual serão minhas obrigações de amanhã?".
Já cansada de procurar e não encontrar algo que me completasse,mas não sabia nem o quê procurava!.

Depois de um dia de trabalho, um trabalho que eu não gostava,uma rotina que não me satisfazia, depois de assistir a filmes que não me alegravam, de conviver com pessoas das quais eu não gostava, mas tinha que conviver , tinha que gostar, tinha que respeitar, tinha que obedecer, tinha que calar.

Mas ao assistir a um espetáculo de dança, Em Busca De..., mesmo relutante,pois pensava(ou os outros me fizeram pensar) que era perda de tempo. Me questionava:"o que eu ganho assistindo a isto?","o tempo que eu estou perdendo aqui, poderia estar trabalhando e ganhando dinheiro".

Mas tampei os ouvidos para as preocupações e apenas me deixei levar pelo espetáculo,naquele instante, os meus sentidos e o meu coração começaram a pulsar, a renascer, a sentir, a sonhar, a buscar.Me encontrei e indaguei:"quem é você ?","o que você procura?". Descobri que não sabia quem eu era:"sou o quê eu quero ser, ou sou o quê os outros querem que eu seja?",ou pior,os outros não querem que eu seja nada, porque para eles, eu não importo, eu não existo"

Entrei em um buraco fundo, esse buraco que existia em mim, o qual eu mesma escavei com as minhas preocupações e com os meus medos, lá eu estava esquecida, esquecida por mim mesma.
Depois desse choque de realidade, percebe que estava encontrando o caminho do qual a muito tempo eu havia me perdido...

Para as perguntas feitas, até o final dessas mal escritas linhas, ainda não possuo respostas,mas estou feliz, pois agora estou conhecendo a mim mesma e me indagando constantemente:"Estou Em busca do quê?"

Rafaela

segunda-feira, 22 de março de 2010

Distração = Observação

Certas pessoas possuem um ritmo diferente ,muitas vezes ,considerado "lento",algo oposto ao que a modernidade impõem, por isso elas ,muitas vezes, escutam frases do tipo: "presta a atenção", "rápido...rápido", "seja esperto...".
Essa necessidade de rapidez e esperteza , talvez seja o diagnóstico de um modo de vida caótico.
Atualmente, há uma falta de solidariedade entre as pessoas,pois alguém diz :"fica esperto ,senão alguém te enrola".
Por que cada um não pode possuir um ritmo ,sem ficar com medo de ser "atropelado" por outra pessoa?Será que ser moderno é isto: ser esperto e traiçoeiro?.
Pessoas tipificadas como "distraídas", são ,na minha opinião,mais felizes do que aquelas que ficam apenas esperando um momento certo para atacar! .
Distração = Observação
Será que os modernos observam o que se passa ao seu redor?
Garanto que os "distraídos" observam e conhecem aqueles que os julgam mal.


Rafaela

sábado, 20 de março de 2010

Abrão os olhos enquanto ainda os têm!

Cansei de observar que na maioria das revistas há publicações do tipo: dicas para emagrecer,use a roupa adequada,dicas de melhores locais para se visitar e etc.
Na minha modesta opinião, existe uma intenção de criação de algo para compor um mundo imaginário,onde todas as pessoas são bonitas,magras ,ricas ,bem vestida,se alimentam com as melhores comidas,fazem viagens ao exterior,pois para este tipo de pessoas, viajar pelo Brasil é coisa de gente cafona.
Tenho pena desse tipo de gente, porque criam um mundo tão fantástico, que no simples tocar nessa bolha de sabão em que os envolvem,ela estoura os deixando desprotegidos da chuva que os banha com a realidade.
Ah! realidade com sua face muitas vezes horrível,mostrando que certos pais matam seus filhos ,que filhos matam seus pais,crianças que perdem ,e na maioria das vezes, nunca tiveram infância,pois são vítimas da fome ,do abandono,da violência...Esta realidade que é tão difícil de ser encarada, até por aqueles que abrem olhos para vê-la, ah!!! imagens que chocam e desalentam.
Espero que as pessoas que têm seus próprios mundos,acordem e percebam que o mundo real precisa de ajuda,pois fechar os olhos para a realidade e aceitá-la como ela é.


A Autora